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Uma Boa Cristã - Capítulo 4: Confissão

Chego à igreja vinte minutos atrasada, o coração apertado no peito. O culto já começou e o som do piano e dos hinos ecoa pelo salão simples e bem cuidado. Procuro Igor com o olhar e o encontro sentado na penúltima fila. Caminho hesitante pelo corredor lateral e me sento ao lado dele, o mais discretamente possível.

Ele vira o rosto para mim.

“Chegou tarde, amor. Aconteceu alguma coisa?”, pergunta, quase sem mover os lábios para não atrapalhar o sermão.

“Perdi a hora”, murmuro, sem conseguir encará-lo direito. Meus olhos ficam fixos no púlpito.

Igor se inclina e deposita um beijo suave no meu rosto. O gesto carinhoso, que normalmente me aquece, só faz meu estômago revirar de culpa. Consigo abrir apenas um meio sorriso falso e envergonhado. Meu estômago se revira. Como posso deixar ele me beijar depois do que fiz hoje?

Olho para frente, tentando me concentrar na pregação. O pastor Mauro está de pé atrás do púlpito, a Bíblia aberta diante dele, a voz firme e grave, como sempre.

“A Palavra de Deus é explícita quanto à santidade que o Senhor exige do Seu povo. Está na palavra dito que temos que nos abster da prostituição; que precisamos possuir o vaso em santificação e honra, e não cair na promiscuidade.’”

Cada palavra parece cair diretamente sobre mim. Sinto o calor subir pelo pescoço.

“A impureza sexual, seja ela em atos ou em pensamentos, é contrária à vontade de Deus. Mateus nos alerta: ‘Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.’ Isso vale para ambos os sexos. A masturbação, a fornicação, os pensamentos impuros… tudo isso é luxúria. É colocar o desejo da carne acima da glória de Deus.”

O sermão tinha que ser sobre isso bem hoje. A memória do que aconteceu mais cedo volta com força, meu corpo traiçoeiro reage. Lembro daquele prazer avassalador que nunca havia sentido na vida. De como fiquei molhada.

Meu Deus... Como foi gostoso...

Suspiro fundo irritada por mais um pensamento pecaminoso invadindo a cabeça. Aperto as pernas com força, tentando me controlar. Igor vira o rosto para mim, estranhando, mas rapidamente volta a atenção para o pastor.

Perdão, Senhor… por favor, faz esses pensamentos irem embora.

Mas eles não vão. Lembro do meu corpo naquela lingerie indecente. Como eu estava gostosa, eu nunca estive tão gostosa.

Minha respiração fica mais curta. Sinto os mamilos roçando contra o tecido do sutiã, sensíveis demais. Sem perceber, minha mão direita desliza devagar pela saia, descendo até a coxa. Os dedos pressionam levemente a carne por cima do tecido, bem perto da virilha. O toque, mesmo por cima da roupa, envia uma faísca traiçoeira pelo meu corpo.

Não… O que está acontecendo comigo?

Retiro a mão rapidamente, como se tivesse queimado, e aperto os dedos no banco de madeira até os nós ficarem brancos. Meu rosto queima de vergonha. Estou na igreja. No meio do culto. E meu corpo ainda deseja mais.

Se o Senhor estivesse me ouvindo, esse fogo dentro de mim se acalmaria, penso, angustiada. Mas Ele não me ouve. Ou talvez eu seja tão suja que fez ele desistir de mim.

Percebo, com clareza dolorosa, que não vou conseguir me livrar disso sozinha. Preciso de ajuda do pastor.

O culto termina com uma oração final. Igor vira-se para mim novamente, preocupado.

“Está tudo bem, amor? Você parece… distante.”

“Sim…”

Respondo, forçando outro sorriso. Eu deveria contar a verdade à ele, mas simplesmente não consigo.

Antes que ele possa insistir, minhas amigas se aproximam, animadas, falando todas ao mesmo tempo.

“Naomi! Finalmente de volta!”

Letícia me abraça. 

“Depois conversamos, amor.”

Igor diz com um sorriso.

“Mata a saudade das suas amigas.”

Ele acena de leve para as meninas e segue em direção ao grupo de rapazes.

“Como foi a lua de mel?!”

Já começa Cristina, assim que Igor se afasta.

“Conta tudo!”

“Foi… bom.”

Minha resposta é vaga.

“Tranquilo. O resort era bonito.”

“Não é isso que a gente quer saber! Fala como foi a sua primeira vez!”

É Camila que insiste.

Esse é o tipo de conversa que eu adoro ter com as meninas, mas culpada pelo pecado grave, só continuo com as respostas vagas.

“Foi… bom. Ainda estamos nos adaptando.”

As meninas tentam me pressionar, mas meu incomodo é grande. Vejo o pastor conversando calmamente com um casal de idosos perto da porta lateral. Meu coração acelera. Sei que preciso falar com ele.

“Meninas, me desculpem… preciso resolver uma coisa rápida”

As meninas estranham, mas me liberam para passar.

Caminho até ele o pastor com as pernas trêmulas, o coração batendo forte. Quando ele me vê me aproximando, seu rosto se abre em um sorriso acolhedor.

“Naomi! Que bom vê-la de volta. Bem-vinda. Como estão as coisas?”

Engulo em seco, sentindo a boca seca.

“Pastor… será que o senhor teria um momento para conversar comigo em particular? É… é importante.”

Ele percebe a seriedade no meu tom e assente, sério.

“Claro. Vamos até minha sala.”

Chegamos à pequena sala nos fundos da igreja. O pastor fecha a porta com cuidado e se senta na poltrona à minha frente, cruzando as mãos sobre o colo. Seu olhar é calmo, mas sério.

“Então, Naomi… sobre o que você quer falar?”

Abro a boca, mas as palavras simplesmente não saem. Sinto um nó apertado na garganta. Sempre confessei meus pecados ao pastor, e até para algumas amigas mais próximas da igreja. Mas dessa vez é diferente. A vergonha é esmagadora.

Ele percebe minha dificuldade e inclina o corpo levemente para frente.

“Não tenha vergonha. Eu estou aqui para te pastorear. O que quer que seja, pode falar com confiança.”

Engulo em seco várias vezes, o rosto queimando. Finalmente, com a voz baixa e trêmula, consigo dizer:

“Pastor… eu… eu me masturbei hoje, antes de vir para o culto.”

Não chego perto de conseguir contar as partes agravantes da história. Principalmente a utilização da palavra de Deus para um ato tão obsceno.

Mesmo assim o pastor parece impressionado. Ele claramente não esperava essa confissão. Meus pecados de sempre eram a respeito de vaidade, fofoca, pequenas mentiras. Nunca algo relacionado a luxúria.

“Entendo”, diz ele por fim, a voz baixa e controlada. “A masturbação, fora do contexto íntimo do casamento, é uma forma de traição em pensamento. É entregar o corpo e a mente a um prazer egoísta, em vez de direcioná-lo ao cônjuge, como Deus estabeleceu.”

Ele faz uma pausa, parecendo escolher as palavras com cuidado.

“É estranho, Naomi. Te pastoreio a bastante tempo, e a senhora nunca me apresentou problemas com masturbação. E agora isso acontece depois de casada? Jovens recém-casados geralmente não caem nesse tipo de pecado tão rapidamente. Na maioria das vezes, o desejo é tão forte que mal se desgrudam um do outro. O sexo costuma ser diário nas primeiras semanas. Como está a vida sexual com seu marido?”

A pergunta me pega de surpresa. Não pelo conteúdo íntimo — eu sei que no aconselhamento pastoral é necessário se abrir sobre assuntos pessoais —, mas pela menção de “sexo diário”. As pessoas realmente transam tanto assim?

“Está… está tudo bem”, respondo, hesitante. “Essa semana foi cansativa por causa do retorno ao trabalho, mas… está tudo bem. Acho que sim.”

Ele me observa por mais um instante, como se não estivesse totalmente convencido, mas acaba assentindo.

“É bom que esteja. O sexo é muito importante na vida conjugal. É um dos pilares que Deus deu para fortalecer a união entre marido e mulher.”

O pastor se recosta na cadeira e continua, agora com tom mais firme:

“Por isso, Naomi, eu preciso te dizer algo importante. Você deve contar sobre esse pecado ao seu marido.”

Sinto um frio na barriga.

“O quê? Não… eu não consigo”, respondo rapidamente, a voz embargada. “Tenho muita vergonha, pastor.”

Ele balança a cabeça devagar.

“Entenda. Aqui não é como na igreja católica, eu não vou te passar uma penitência e tudo ficará resolvido. O verdadeiro arrependimento não é apenas sentir culpa ou pedir perdão para mim ou para Deus. Você tem que se confessar e restaurar a confiança com as pessoas afetadas pelos seus atos, no caso, o seu marido.”

“Pastor… Não dá…” Sei que ele está certo, sempre fiz assim. Mas realmente não dá.

“Nesse caso,” Ele continua em tom complacente “a senhora ainda continuará em pecado.”

Baixo os olhos, sentindo as lágrimas ameaçarem cair. Não respondo mais nada. O pastor percebe e não insiste além do necessário.

“Pense no que conversamos. Ore sobre isso. E retorne sempre que precisar conversar.”

Saio da sala com as pernas fracas. Igor já me espera perto da saída da igreja. Ele ainda me olha com aquela expressão estranha, como se soubesse que algo não está certo.

No caminho para casa, ficamos em silêncio quase o tempo todo. Ele tenta puxar assunto algumas vezes, mas minhas respostas são curtas. Quando chegamos, tomo um banho rápido e deito na cama ao lado dele.

Ele me dá um beijo nos lábios antes de se virar para dormir. Penso em contar tudo. Mas as palavras não saem. Não consigo. Não consigo contar ao homem que eu amo nem a parte mais leve que contei ao pastor, muito menos o resto.

Fecho os olhos com força e tomo uma decisão:

Talvez eu ainda não consiga contar a verdade para Igor…

Mas eu posso parar de pecar. Amanhã mesmo vou ter uma conversa séria com Roberto.



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Comentários

  1. Adoreii, cada parte fica ainda melhor

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  2. Kkk uma pena ser mais curto esse capítulo
    Me identifiquei muito com a história, e por coincidência meu nome é Igor e tive uma ex namorada que era bem recatada e que vivia fantasiando em ser corno manso dela kkkk

    Ansioso para os próximos. Será que a Naomi vai falar para o Igor o seu desejo secreto e o Igor vai encontrar se encontrar no relacionamento como um c0rno bem mansinho?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hahaha… Que coisa em, Igor. Acho que essa história vai ser especial para você então, Igor.😆

      Mas não sei, talvez Naomi resista a tentação e abandone esses desejos reprimidos… vai saber… 😉

      Excluir

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