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Uma Boa Cristã - Capítulo 5: Desfeita

Acordo com uma sensação diferente da de ontem. Pronta e determinada. Não é que a culpa tenha desaparecido — ela ainda está lá, pesada, latejando no fundo da minha consciência. Mas já decidi que preciso resolver isso de uma vez por todas. Não vou mais deixar o pecado ganhar espaço na minha vida.

Coloco o pacote com a lingerie dentro da bolsa, bem no fundo, como se fosse algo perigoso. Hoje vou devolver esse presente indecente para Roberto e deixar bem claro que não aceito esse tipo de comportamento. Sou uma mulher casada, uma serva de Deus. Isso precisa acabar.

Chego ao escritório no horário habitual, Igor vai par a mesa dele. Meu coração bate forte, mas estou firme. Vejo que Roberto já está em sua sala, respiro fundo, pego a caixa da bolsa e caminho decidida até lá.

Bato duas vezes na porta aberta e entro sem esperar convite.

“Senhor Roberto, preciso falar com o você?”

Ele levanta os olhos da tela do computador.

“Claro, Sra. Naomi. Pode ser mais tarde? Estou terminando um relatório.”

“Não, senhor”, respondo com a voz firme. “Preciso falar com você agora.”

Roberto tira os óculos devagar, solta a caneta sobre o caderno e recosta-se na cadeira. Seus olhos escuros me analisam com atenção.

“Sendo assim… entre e feche a porta.”

Entro na sala e fecho a porta atrás de mim. Giro também a persiana, deixando as lâminas na vertical, exatamente como ele costuma fazer.

Roberto aponta para a cadeira à sua frente, mas eu o ignoro. Apenas me aproximo confiante e coloco a caixa com força sobre a mesa.

“Eu não quero mais saber de receber esse tipo de presente do senhor. Nem dentro, nem fora do ambiente de trabalho.”, começo, a voz enérgica e carregada. “A minha religião não permite usar esse tipo de coisa. Mas é muito pior o que o senhor parece estar sugerindo com isso. Eu sou uma mulher casada, comprometida diante de Deus e do meu marido. Esse tipo de atitude não tem espaço na minha vida.”

O silêncio que se segue é pesado. Roberto não diz nada. Apenas me olha calmamente, sem demonstrar surpresa ou raiva. Isso me deixa ainda mais nervosa. Será que ele vai me demitir? Nesse momento, isso não importa. Fazer o que é certo é necessário.

Depois de longos segundos, Roberto então estende a mão para pegar a caixa. Ele abre a tampa com tranquilidade e observa o conteúdo por alguns segundos. Um leve franzir de testa aparece em seu rosto.

“Estranho… as peças parecem meio amarrotadas. Não lembro da atendente ter deixado assim quando comprei.”

Meu coração congela. 

Ele tira a calcinha da caixa e passa os dedos lentamente sobre o tecido rendado. Seus olhos escuros se estreitam ligeiramente.

“Parece um pouco rígida também… como se tivesse sido… umedecida.”

Fico boquiaberta, sentindo o sangue sumir do meu rosto. Toda a minha postura firme desaba em um segundo. Como posso ter cometido a gafe de devolver isso assim?

Roberto leva a calcinha mais perto do rosto e inspira discretamente. Depois de um instante que parece eterno, ele pergunta com a voz baixa e grave:

“Esse é o seu cheiro, Sra. Naomi? Qual exatamente era a sua intenção ao me devolver essa peça assim?”

De repente, parece que sou eu quem está dando em cima dele. Meu rosto queima de vergonha e pânico.

“N-não era a minha intenção…”, gaguejo, desesperada. “Não foi nada disso que o senhor está pensando…”

Ele me encara sério, sem desviar o olhar.

“Então qual era a intenção, Naomi?”

Engulo em seco várias vezes, minhas mãos apertam o tecido da minha saia de nervoso. Não quero que ele pense que eu fiz isso de propósito, que estou flertando ou provocando. Preciso contar a verdade.

“Eu… eu usei a calcinha”, confesso, a voz quase sumindo. “Eu coloquei ela e as outras peças... E eu… me masturbei usando elas... Mas nunca tive a intenção de sugerir nada devolvendo assim! Eu devolvi porque estou arrependida do que fiz. Eu já até me confessei na igreja ontem mesmo. Por favor… eu não queria que o senhor pensasse que eu…”

As palavras saem atropeladas, até o momento de eu não encontrar as próximas.

Sinto meu corpo inteiro tremendo. Acabei de admitir em voz alta para o meu chefe que me masturbei. Foi preciso, mas é constrangedor.

Roberto não se abala. Depois de alguns segundos travada, ele tenta me acalmar.

“Sra. Naomi. Não estou ofendido. Também não tive a intenção de ferir suas crenças religiosas.”

Ele faz uma pausa breve, escolhendo as palavras.

“Eu não imaginava que uma mulher usar uma simples lingerie pudesse ser considerado pecado. Presenteei você com isso justamente para que usasse com o seu marido, nada além disso.”

Não tinha considerado essa possibilidade. Fui tola em achar que um homem tão sério e respeitado como Roberto estaria sugerindo algo impróprio com uma funcionária Júnior e recém-casada. Uma lágrima escorre pelo meu rosto sem que eu consiga segurar.

“Desculpe, senhor…”, murmuro, a voz embargada.

Roberto balança a cabeça e faz um gesto leve com a mão, como se aquilo não tivesse importância.

“Veja, já que você se abriu tanto comigo, me responda uma coisa. Ok, então usar essa lingerie é pecado para você. Mas imagino que o sexo conjugal não seja. Se a senhora sentiu esses... Impulsos... por que não procurou o seu marido ao invés de se masturbar?”

Assusto-me com a pergunta tão íntima e indiscreta, especialmente vinda dele dentro do ambiente de trabalho. Mas sei que a culpa foi minha por ter trazido o assunto até aqui. Envergonhada, baixo o olhar.

“Isso… isso foi outro pecado, senhor. Um ainda pior.”

“Isso não responde à minha pergunta”, ele rebate calmamente. “Você acabou de se casar após uma juventude toda casta. É óbvio que teria esses impulsos. Minha pergunta é: por que não procurou o seu marido?”

Fico sem resposta por um instante, apertando ainda mais forte o tecido da saia. Roberto continua, a voz baixa mas firme:

“Quando foi a última vez que vocês transaram?”

De novo essa pergunta?, penso, surpresa. Isso é tão importante assim?

Respondo ainda mais constrangida, quase sussurrando:

“Não faz muito tempo, senhor. Não deve ter nem uma semana.”

Minto. Na verdade, faz pouco mais de uma semana — alguns dias antes de voltarmos da lua de mel. Nosso primeiro final de semana após a viagem será agora, e eu imagino que algo vá acontecer.

Roberto me encara por alguns segundos, mas não insiste no ponto. Em vez disso, ele muda o tom, ficando mais profissional:

“Gostaria de te sugerir uma experiência para melhorar o seu desempenho por aqui. A próxima vez que a senhora se deitar para dormir, quero que feche os olhos e pense em como podemos prospectar aquele cliente.”

Estranho a mudança repentina de tema no meio de uma conversa tão tensa.

“Como assim, senhor?”

Ele responde com a maior naturalidade:

“A próxima vez que se deitar, feche os olhos, fique quieta, mas se esforce para não dormir, pelo menos por um tempo. Coisas surpreendentes costumam acontecer nesse momento. É um método que utilizo para melhorar meu desempenho. Sugiro que tente também.”

Sigo estranhando aquela “metodologia”, mas acabo assentindo, sem saber muito bem o que dizer.

“T-Tudo bem, senhor…”

Roberto guarda a calcinha de volta no embrulho com calma e empurra a caixa novamente na minha direção.

“Isso é seu. Foi um presente. Se for pecaminoso para você, jogue fora.”

“C-Claro, senhor. Desculpe novamente se pareceu que eu queria insinuar alguma coisa.”

Ele faz o mesmo movimento discreto com a mão e a cabeça, dispensando o pedido de desculpas.

“Pode voltar para a sua mesa. O relatório referente às empresas extratoras de minérios não vai ser entregue sozinho.”

Enxugo rapidamente as lágrimas e ajeito a postura. “Sim, senhor.”

Pego a sacola com a lingerie e saio da sala, sentindo as pernas fracas. Não pretendo utilizar a peça novamente, mas também não consigo jogá-la fora como ele sugeriu. Guardo o embrulho no fundo da minha gaveta de trabalho, escondido atrás de alguns arquivos.

Com a caixa guardada, respiro fundo. E penso na conversa que acabei de ter.

Porque será que Roberto quer que eu pense no trabalho bem na hora de dormir? Eu tenho sono pesado, dificilmente vou conseguir produzir alguma coisa.

Um pouco mais abalada do que de costume, tento fazer meu trabalho. A conversa foi constrangedora, mas pelo menos me acertei com Roberto.




Próximo Capítulo (Em Breve)

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Comentários

  1. Excelente capitulo! O chefe já efetivamente começou a manipular e adestrar a casadinha. Aguardando o próximo capítulo.

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  2. Estou tentando entender qual é exatamente a proposta dos capítulos. Há bastante foco em manipulação psicológica, mas, na prática, sinto que falta sexualidade dominação.

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    1. Você entendeu! É a manipulação psicológica mesmo. Sexualidade e dominação acontece conforme a transformação dos personagens vai acontecendo. Assim como todos os contos que criei até aqui. ☺️😉

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