Chego em casa ainda apreensiva. A visão daquela lingerie indecente ronda meus pensamentos desde que abri aquele embrulho.
Como vou contar isso para o Igor?
Jogo a bolsa sobre a cadeira do quarto e solto um suspiro longo, tentando afastar a ansiedade. Ainda falta um tempo até o futebol dos rapazes acabar.
Talvez eu deva ler um pouco da Bíblia. Sempre ajuda a me acalmar.
Começo a tirar a roupa pesada do trabalho, primeiro os sapatos, depois a saia apertada, a camisa abafada pelo calor do dia. Fico apenas de calcinha e com a blusinha fina que usava por baixo. O frescor do ventilador na pele ameniza um pouco a tensão.
Deito na cama e alcanço a Bíblia na cabeceira. Passo os dedos pela capa já gasta de tanto uso. Eu estava prestes a começar o livro de Cantares.
Abro na página sinalizada pelo meu marcador, e começo a leitura:
'Ah, se ele me beijasse, se a sua boca me cobrisse de beijos… Sim, as suas carícias são mais agradáveis que o vinho. A fragrância dos seus perfumes é suave; o seu nome é como perfume derramado. Não é à toa que as donzelas o amam.'
Não é a primeira vez que leio o livro de Cantares, nem a segunda, nem a terceira. Os versos do Rei Salomão com sua amada Sulamita sempre me encantaram. Desde a adolescência eu sonhava em viver um relacionamento assim — poético, intenso, romântico. E agora eu vivo.
'Como você é belo, meu amado! Ah, como é encantador! A grama verde será a nossa cama.'
Eu não sei exatamente por quê, mas a imagem de Salomão que me vem à cabeça desta vez está bem diferente do que eu costumava imaginar. Mais alto. Sua pele escura. Bem mais… imponente.
'Seus dois seios são como filhotes de cervo, como filhotes gêmeos de uma gazela que repousam entre os lírios.'
'Como você é linda, minha querida. Em você não há defeito algum.'
Sulamita é descrita no poema como uma mulher de cabelos negros e pele escurecida pelo sol. Mas não dessa vez. A mulher que Salomão observa tem cabelos loiros e olhos verdes iguais aos meus. A pele pálida e bem cuidada, exatamente como a minha.
Um calor invade meu corpo. Sempre gostei de Cantares, mas nunca mexeu comigo desse jeito. Sigo lendo, cada vez mais empolgada.
'Acorde, vento norte! Venha, vento sul! Soprem em meu jardim, para que a sua fragrância se espalhe ao seu redor. Que o meu amado entre em seu jardim e saboreie os seus deliciosos frutos.'
'Entrei em meu jardim, minha noiva, minha amada; ajuntei a minha mirra com as minhas especiarias. Comi o meu favo e o meu mel; Bebi o meu vinho e o meu leite.'
Antes que eu perceba, meus dedos deslizam por cima da calcinha, circulando duas vezes sobre o meu clitóris sensível.
Forço-me a parar assim que me dou conta e fecho a Bíblia com um baque.
O que estou fazendo?! A palavra de Deus não devia me deixar assim…
Fico alguns segundos parada na cama, tentando desacelerar a respiração. O coração bate rápido contra o peito, e um calor estranho continua espalhado pela pele — mas mantenho as mãos afastadas, com medo delas agirem sozinhas novamente.
Daqui a pouco começa o culto. Talvez um banho ajude a colocar meus pensamentos no lugar.
Levanto da cama sigo para o banheiro, ainda inquieta. A luz fria do espelho me recebe enquanto paro diante da pia. Antes de tirar o restante da roupa, observo meu reflexo por alguns instantes.
Passo os dedos pelos cabelos devagar.
Mas já não é a Naomi que me encara.
É Sulamita.
A linda Sulamita loira, de pele pálida, que minha imaginação criou.
Tiro a blusinha, revelando meus pequenos seios nus. Não é à toa que Salomão fica tão encantado. Sulamita é linda. Eu sou linda.
Uma ideia começa a se formar na minha cabeça. Pequena no início, quase absurda. Tento afastá-la, mas ela permanece ali, insistente, quente.
Meu olhar escapa na direção do quarto.
Para onde está o presente que Roberto me deu.
Engulo seco.
Antes que eu possa mudar de ideia, deixo o banheiro, sigo até a cadeira da minha escrivaninha e pego a caixa de dentro da minha bolsa. O papelão quase amassa entre meus dedos enquanto volto apressada, como se alguém pudesse me impedir no meio do caminho.
Abro o embrulho e por alguns segundos, apenas encaro o conteúdo. As peças parecem ainda mais íntimas agora, o branco ainda mais brando iluminado pela luz clara do banheiro. São delicadas. Provocantes. Bonitas demais.
Sem hesitar, pego a calcinha.
Deslizo o tecido pelas pernas rapidamente até ajustá-lo na cintura. A sensação é imediata, mágica. O material fino e rendado se acomoda fundo entre minhas nádegas. Um arrepio percorre minha espinha enquanto sinto o atrito leve contra meu corpo, deixando aquele calor ainda mais intenso.
Viro de costas para o espelho.
A respiração falha por um instante.
As tiras delicadas desenham meu corpo de um jeito que eu nunca tinha visto antes. Minha bunda parece mais arredondada, marcada pela renda clara, apenas um tom acima do meu tom de pele.
Estou bonita.
Deliciosa.
Não consigo parar por aí.
Imediatamente, volto a abrir a caixa e pego o sutiã.
O tecido elástico abraça meu corpo com suavidade enquanto acomodo as alças nos ombros e prendo as presilhas atrás das costas. Quando termino, ergo os olhos para o espelho.
O tule semitransparente cobre meus seios sem realmente escondê-los. Meus mamilos rosados continuam visíveis através do tecido delicado, levemente suavizados pelos graciosos bordados que serpenteiam sobre eles. Um arrepio percorre minha pele ao sentir seu toque aveludado, deixando-os ainda mais sensíveis.
Minha respiração fica um pouco mais lenta.
Ou talvez mais funda.
Continuo explorando o conteúdo da caixa para pegar outra peça, dessa vez aquela que não conheço — parece uma espécie de cinta, mas de um tecido fino. Levo alguns segundos observando as tiras sobressalentes antes de entender como ela deve ser usada.
Ajusto a cinta rendada à cintura com cuidado. O tecido fino repousa sobre minha pele com leveza, quase sem peso, enquanto as tiras delicadas descem soltas pelas minhas coxas nuas.
Paro por um instante diante do espelho. O conjunto é complexo, mas não esconde praticamente nada — apenas emoldura meu corpo, guiando meu olhar pelas curvas dos meus seios até minhas pernas.
Há algo quase contraditório naquela imagem. Sensual e delicada ao mesmo tempo. Pecaminosa… mas estranhamente angelical.
Agora só faltam as meias.
Pego o par dentro da caixa e volto para o quarto, sentando-me na beirada do colchão para colocá-las com mais facilidade.
Deslizo o material fino pelas pernas devagar. O tecido transparente comprime minha pele com suavidade enquanto sobe pelas panturrilhas, pelos joelhos… mais acima, acariciando minhas coxas lentamente até parar bem no meio delas. Então, prendo cada uma com cuidado às pequenas presilhas da cinta rendada.
Já usei meia-calça antes, mas nunca algo assim. Minhas pernas estão enfeitadas… tentadoras. Meus dedos descem lentamente pelas ligas elásticas até encontrarem o material acetinado, e minha palma continua o trajeto pelas coxas. A sensação é quase um carinho — um carinho instigante, capaz de fazer o calor no meu corpo aumentar aos poucos.
Meu olhar acaba se voltando para a cabeceira, onde deixei minha Bíblia. O coração bate ainda mais forte ao encará-la novamente.
Antes que eu possa pensar demais, deito na cama outra vez e a abro exatamente onde parei. Meus dedos já se acomodam entre minhas pernas, bem sobre o ponto mais sensível. Dessa vez, não tento afastá-los.
O toque é diferente agora.
Mais íntimo.
Mais perigoso.
A renda delicada mal separa meus dedos da minha pele. O tecido fino amortece o contato só o suficiente para transformar cada movimento em uma carícia gentil, suavemente estimulante. Deslizo a mão devagar, sentindo o calor se espalhar pelo meu corpo aos poucos, incapaz de parar.
A leitura segue fluida:
'O meu amado pôs a mão por uma abertura da tranca; meu coração começou a palpitar por causa dele.'
'Levantei-me para abrir-lhe a porta; minhas mãos destilavam mirra, meus dedos vertiam mirra, na maçaneta da tranca.'
Sinto a mirra na ponta dos meus dedos, atravessando o tecido fino da calcinha. Mas… esses não são os meus dedos. E também não são os de Salomão.
São os de Roberto.Roberto que coloca minha calcinha para o lado com cuidado. Um fio brilhante da minha seiva acompanha o tecido. Seus dedos melam com o primeiro toque, mas isso ainda não é suficiente, ele busca mais no interior da fonte, tem bastante por lá.
Encharcados, seus dedos circundam meu clitóris com movimentos lentos, precisos, e depois percorrem o caminho vertical existente ente meus lábios, também lento, mas com uma pressão mais presente.
Gemo baixinho. Não consigo parar de ler.
'O meu amado desceu ao seu jardim, aos canteiros de especiarias, para descansar nos jardins e colher lírios.'
'Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele descansa entre os lírios.'
Seus dedos pressionam os cantos dos meus lábios, o indicador e o anelar ao mesmo tempo, enquanto o médio brinca com com meu ponto mais sensível, de leve. Ele sabe que o menor aumento de pressão pode me tirar desse estado de prazer, e não quer isso. Nem ele… nem eu. Ainda não.
A leitura segue. A calcinha volta ao lugar, ajudando-me a surfar nesse estado sem perder o controle. Os toques, rebeldes, já começam a ficar menos suaves.
'Você é tão graciosa como uma palmeira; os seus seios são como cachos de tâmaras.'
'Vou subir na palmeira; me apossarei dos seus frutos. Sejam os seus seios como os cachos da videira, o aroma da sua respiração como maçãs.'
“Ahnn… Então que o meu querido beba suavemente deste vinho que escorre entre os seus lábios e dentes!”
A frase é de Sulamita, mas sou eu que proclamo em alto e bom tom, como uma súplica desesperada. Uma súplica para que Roberto se delicie com o meu vinho, que o drene todo de dentro de mim com sua língua.
De repente, algo completamente novo começa a crescer dentro de mim.
Uma onda quente e intensa sobe do fundo da minha barriga, espalhando-se como fogo líquido por todo o meu corpo. Meus dedos do pé se curvam, minhas coxas tremem sem controle, e um prazer avassalador, profundo, quase insuportável, explode de dentro para fora. É como se todo o meu corpo se desfizesse em luz e calor ao mesmo tempo. Minhas costas arqueiam, um gemido longo e rouco escapa da minha garganta, e por alguns segundos eu simplesmente… deixo de existir. Só existe essa sensação pulsante, doce, infinita, que me atravessa inteira, fazendo cada músculo contrair e relaxar em ondas que parecem não ter fim.
As ondas intensas começam a diminuir, mas mantenho a mão pressionada entre minhas pernas, tentando prolongar os resquícios daquele prazer quente que ainda percorre meu corpo. Permaneço perdida nesse estado de torpor enquanto pequenas contrações ainda pulsam pouco abaixo dos meus dedos, suaves, cada vez mais fracas...
Elas diminuem mais…
Até finalmente cessarem.
Então abro os olhos.
Assustada.
Meu Deus… o que foi isso?! O que eu acabei de fazer?!
Levanto da cama em pânico, imediatamente tirando a lingerie como se ela queimasse minha pele. Jogo tudo de volta na caixa com movimentos apressados, as mãos trêmulas, o rosto ardendo de vergonha. Sinto-me suja. Impura. Traidora.
"Me perdoa, Senhor… eu sou tão fraca."
A Igreja fica logo enfrente à nossa casa, mesmo assim estou atrasada, o culto está prestes a começar.
Mas não posso encontrar Igor assim — cheirando a suor, com o corpo ainda quente e marcado por algo tão pecaminoso.
Corro para o banheiro e tomo um banho rápido, quase desesperado, sem tempo sequer de lavar os cabelos úmidos de suor. Visto uma roupa simples às pressas, pego a Bíblia e saio correndo para a igreja, ainda me sentindo a pior pessoa do mundo.
A pior esposa.
A pior cristã.
Cada passo parece pesado.
Como vou olhar nos olhos de Igor?
Como vou conseguir falar com Deus?
Próximo Capítulo (Em Breve)
















O último conto foi a mesma coisa
ResponderExcluirEssa visão da feminização pela mulher é algo para o público feminino.
Nós cdzinhas nos interessamos mais pela visão da cross sendo feminizada.
Outra coisa, não é porque queremos ser feminizadas que queremos ser cornas, parece ser mais do mesmo.
Enfim, boa sorte nesse conto.
Como vai ser a transição de deixar a esposa mais devassa para a esposa ou o chefe fazer isso com o marido ?
ResponderExcluirAh, se eu contar perde a graça kkk
ExcluirEstou adorando e curiosa para saber como será a feminização do maridinho
ResponderExcluirEstá esquentando!
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