Já é o terceiro dia que tento seguir a estranha instrução de Roberto. Deito ao lado de Igor na nossa cama, apago a luz e fecho os olhos como se fosse dormir. É difícil para mim — sempre tive facilidade em pegar no sono assim que encosto a cabeça no travesseiro.
Tento pensar no trabalho, como ele sugeriu. Como convencer a Helix a vir para nossa carteira? Mas minha mente insiste em vagar para outro lugar. Esperava que Igor me procurasse por sexo nesse fim de semana. O pastor falou em sexo diário. Roberto deu a entender algo parecido. Será que eu deveria estar fazendo alguma coisa? Sempre achei que isso era uma coisa que devia vir dos homens. Tento afastar esses pensamentos. Roberto me mandou pensar no trabalho, não nisso.
Mesmo assim, não sinto nenhum progresso profissional com essa “metodologia”. A única coisa que notei é que, coincidentemente, nos dois dias Igor se levantou pouco depois de deitarmos para ir ao banheiro. Mas quanto a parte profissional… nada. Nenhum insight brilhante.
Roberto costuma saber o que fala. Vou tentar mais uma vez.
A empresa tem participação em empreendimentos pelo mundo todo… Talvez se sugerirmos uma abordagem mais nacional, algo tipicamente brasileiro, como…
Igor se levanta novamente, interrompendo meus pensamentos. Ele sai da cama com cuidado, tentando não fazer barulho. Estranho. Mais uma vez em três dias. Achei que ele tivesse ido ao banheiro antes de deitarmos. Será que está tudo bem com ele?
Espero alguns minutos, mas ele demora demais. Preocupada, decido me levantar para ver se precisa de mim.
Saio do quarto descalça e sigo pelo corredor. O banheiro está escuro e vazio. Ué…
Talvez ele tenha ido comer alguma coisa. Continuo até a cozinha, mas no meio do caminho percebo uma leve luz azulada vindo da sala. Aproximo-me devagar, assustada, sem entender o que está acontecendo.
E então eu vejo.
Igor está deitado no sofá, calça do pijama abaixada até os tornozelos, pernas abertas. Uma mão se move freneticamente sobre o próprio membro enquanto assiste um vídeo no celular.
Na tela, um homem negro alto e musculoso investe violentamente contra uma garota branca e magrinha. Meu corpo inteiro congela. Não consigo falar. Não consigo desviar o olhar.
Com ela em seu colo, ele dobra o corpo dela quase ao meio. Seus braços passam por trás dos joelhos e agarram sua nuca com firmeza, mantendo-a no lugar enquanto mete com força.
Nunca vi uma agressividade assim, mas isso não é nem o que mais me impressiona. O pênis dele é absurdamente grande — muito maior que o de Igor. Eu não sabia que utilizavam CGI para fazer filmes assim.
Quando ele avança seu quadril para duas investidas mais longas e profundas, a sensação chega em mim. A possibilidade de algo tão grosso subindo pelo meu ventre me faz exalar um suspiro audível antes que consiga segurar.
Igor vira o rosto bruscamente na minha direção. Quase no mesmo instante, ele fecha a tela do celular, puxa a calça do pijama para cima com desespero e gagueja:
“A-Amor… o que você está fazendo aqui?”
Minha voz sai baixa, trêmula:
“Você estava… se masturbando.”
“Não… não estava”, ele responde rápido, visivelmente nervoso.
A paralisia vira ira em questão de segundos. Minha voz sobe:
“Abre o seu celular!”
“Não, amor… não estava…”
Vou até ele com raiva para pegar o celular da sua mão, ele tenta resistir.
“Solta!!!”, Grito, estrondosa, e ele cede assustado.
Destravo a tela. O vídeo está pausado exatamente em um close em que o homem negro está penetrando fundo na garota. A haste escura e cheia de veias esticando ao máximo os lábios rosados e delicados.
O site se chama “Blacked”. Olho os vídeos relacionados e percebo que todo o conteúdo é assim: homens negros transando com mulheres brancas. No cabeçalho está escrito “Acesso liberado para assinante”.
Olho para Igor, que está encolhido no sofá, e pergunto Incrédula:
“Você paga por pornografia?!”
“E-E… E-Eu…”
“Desde quando você assiste essas coisas?”
Ele baixa a cabeça.
“Todo mundo faz isso na adolescência, amor… Eu só conti…”
“Desde a adolescência?!”, o interrompo, chocada. “Você faz esse tipo de coisa desde que me conheceu e nunca me falou nada? Nós vamos à igreja toda semana há mais de seis anos! Você nunca pensou em confessar esse pecado para sua namorada?! Para sua noiva?!”
Ele tenta se justificar, a voz fraca:
“Isso é um pecado menor, amor…”
“Um pecado menor?”, repito, a voz tremendo de raiva. “Nós nunca nem tínhamos nos beijado antes de casar! Como você pode achar que assistir essa imoralidade é um pecado menor do que isso?”
“Amor… nenhum jovem leva isso a sério…”
“Não me chame de amor!”, explodo. “Você não é mais jovem! Você tem uma esposa para se satisfazer! Estava se masturbando porque prefere isso a mim!”
Igor tenta pegar minha mão.
“Amor… não é assim que funciona…”
Eu me afasto bruscamente.
“Não encosta em mim!”
Jogo o celular no peito dele.
“Vai assistir seu vídeo pornográfico. Assista a noite inteira se quiser! Nem pense em voltar para a cama!”
Afasto-me irritada pelo corredor. Igor não se atreve a me seguir.
Deito na nossa cama sozinha, o coração batendo forte. Penso em divórcio, porém logo lembro das palavras do pastor falando que isso é pecado. Mas fui enganada. Isso não pode ser justo. Eu me guardei por anos para ele. Entreguei minha pureza no altar achando que ele também tinha se guardado para mim.
Me sinto uma idiota por ter ficado tão culpada pela minha queda no dia do culto. Igor sempre fez isso. Como namorado, como noivo e agora como marido.
Será que o problema sou eu? Sou feia? Gorda demais?
Estou aqui, disponível para ele, e mesmo assim ele prefere pagar por um site pornográfico de conteúdo tão infame.
Fico revirando esses pensamentos por um longo tempo, cheia de raiva, mágoa e humilhação, até que o sono finalmente vem, pesado e inquieto.



Eita bicho pegou para o maridinho né amiga?
ResponderExcluirAgora sim 😉
ExcluirOpa. Terca feira chegou!!! Publica logo please!!!!!!
ResponderExcluirLogo logo 😉
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