Eu respiro fundo, apertando um pouco mais a mão de Igor enquanto as portas do elevador se abrem no décimo andar. O ar-condicionado gelado bate no meu rosto, mas nada consegue esfriar o calor nervoso que sobe pelo meu pescoço.
Igor sorri para mim, aquele sorriso carinhoso e tímido que me conquistou há seis anos, desde os catorze, quando nos conhecemos na igreja. Ele aperta minha mão de volta, reconfortante.
Hoje é o meu primeiro dia como assistente de Marketing aqui na Orion, uma importante investidora do país, e eu ainda não acredito que tudo aconteceu tão rápido. Faz poucas semanas que saí da faculdade, e menos tempo ainda desde a entrevista para a vaga que Igor me indicou. O RH me ligou poucos dias antes do meu casamento para avisar que eu tinha passado. Acabamos de voltar da lua de mel ontem à noite, com as malas ainda fechadas em casa, e já estou aqui, super nervosa.
“Você vai se sair bem, amor. O Roberto é exigente, mas justo. E você é brilhante.” Igor tenta me acalmar, a voz baixa, quase reverente, do jeito que sempre fica quando fala do chefe.
Roberto Mendes. Eu já ouvi esse nome mil vezes nos últimos dois anos, desde que Igor começou a trabalhar para ele como analista de finanças. Eu nunca imaginei que um dia trabalharia diretamente com ele.
A verdade é que eu mal conheço o homem. Só o vi uma vez, de verdade, no dia do nosso casamento. Ele foi convidado por Igor, e veio sem esposa ou filhos. Estava impecável no seu terno acinzentado que parecia feito sob medida para aquele corpo alto e largo.
Eu me lembro dele se aproximando na fila de cumprimentos, o aperto de mão firme, o olhar que demorou um segundo a mais do que o normal. Por um instante eu senti algo estranho no peito, como se o tamanho dele, a voz grave e o jeito como me olhou tivessem feito o ar ao meu redor ficar mais pesado.
“Que maneira maravilhosa de conhecer minha nova funcionária. Está uma noiva linda, senhora Naomi.”
Corei na hora, toda envergonhada, e Igor riu ao meu lado, orgulhoso. Foi a primeira vez que alguém me chamou de “senhora” como quem se dirige a uma mulher comprometida.
Caminhamos pelo corredor aberto, algumas pessoas se levantam para cumprimentar Igor pelo casamento depois do tempo afastado, e a mim também por educação, respondo apenas com um sorriso envergonhado.
Meus trajes são modestos — uma blusa ajustada de mangas até os cotovelos e uma saia lápis de cintura alta que termina pouco acima dos joelhos — ambas num tom rosado suave que deixa minha pele ainda mais clara sob as luzes frias do escritório. O tecido acompanha meu corpo magro de um jeito discreto, exalando feminilidade e não vulgaridade. Meu cabelo loiro bem claro cai liso sobre os ombros, cuidadosamente arrumado naquela manhã. Mas vendo todas as funcionárias do escritório de cabelo preso, começo a me arrepender de tê-lo deixado solto.
Apesar de bem coberta, eu me sinto exposta. Depois da lua de mel, meu corpo ainda parece… diferente. Mais sensível. Como se cada pedacinho da minha pele guardasse a memória de que já não sou mais a mesma garota pura de dez dias atrás. Igor foi tão carinhoso, tão paciente. Evidentemente ele foi o meu primeiro homem; até aquele beijo tímido no altar foi o meu primeiro. Eu mal havia me tocado de maneira mais íntima — as poucas vezes em que isso aconteceu foram no início da minha adolescência, antes de entender que aquilo era errado.
Na primeira noite de lua de mel, quando finalmente nos entregamos um ao outro, eu tremi inteira de expectativa.
Minhas amigas já casadas da igreja sempre falavam, em sussurros impróprios, sobre como era intenso, sobre o fogo que tomava conta, sobre noites inteiras entregues ao êxtase.
Eu sabia que esse tipo de fofoca era pecado, mas a curiosidade me fazia participar das conversas mesmo assim. Depois, a consciência pesava tanto que eu tinha que ir, morrendo de vergonha, confessar tudo ao pastor e aos membros importantes da congregação.
No final descobri que as meninas estavam exagerando. Sexo é… bom. É gostoso ter um momento tão íntimo com quem se ama. Igor me beijou com afeto, me tocou com cuidado, e quando entrou em mim foi gentil, devagar para não me machucar, mas não chegou perto disso em nenhum momento. Foi agradável. Eu me senti amada. Completa.
Eu afasto o pensamento rápido, sentindo o rosto esquentar. Não é hora de pensar nisso. Não aqui.
De repente, uma presença grande e sólida surge atrás de nós. Eu sinto o perfume dele antes mesmo de virar — algo amadeirado, forte, que preenche o ar ao nosso redor.
“Que bom que você está de volta, Sr. Igor”, diz ele, a voz grave e calma, como um ronronar baixo que vibra no peito. Roberto Mendes para bem ao nosso lado, o terno preto impecável, os ombros largos ocupando espaço demais no corredor. Ele estende a mão primeiro para Igor, um aperto rápido e firme, depois vira os olhos escuros para mim. O olhar demora, atento, até gentil. Por um segundo eu me sinto pequena diante dele, e algo quente e estranho se agita no meu estômago.
“Senhora Naomi. Que prazer revê-la tão logo depois da sua lua de mel.”
Eu estendo a mão, e quando os dedos dele envolvem os meus, sinto um calor que sobe pelo braço inteiro. A pele dele é quente, a palma larga e firme. Ele aperta de leve, só o suficiente para eu notar a força controlada ali, e solta devagar. Meu coração dá um salto pequeno e eu baixo os olhos, envergonhada.
“Me permita roubar sua esposa por alguns minutos, Sr. Igor”, continua ele, o tom educado, mas com um leve sorriso que não chega aos olhos. “Preciso passar para a minha nova funcionária suas novas atribuições dela aqui na empresa.”
Ele vira o rosto para Igor, a voz ficando um tom mais sério.
“E já que estamos falando de trabalho… refaça aquele relatório de finanças que você entregou antes de sair de licença. Quando me pediu os dias, eu não imaginava que seria às custas de um trabalho corrido e incompleto. Você já deveria saber que não posso mostrar aquilo para um investidor.”
Igor gagueja, o rosto ficando vermelho na hora.
“D-Desculpe, senhor. Vou corrigir e entregar corretamente ainda hoje.”
Meu coração aperta ao ver Igor ser cobrado tão diretamente, tão sem rodeios. Ele sempre fala do Roberto com tanto respeito… mas o mundo corporativo deve ser assim, né? Se eu não tomar cuidado, a próxima repreendida pode ser eu. Igor me lança um último olhar — meio envergonhado — e corre para a mesa dele.
Então sou surpreendida com um toque firme, pouco acima da cintura. A mão grande de Roberto se acomoda ali por um instante, os dedos espalmados contra o tecido fino da minha blusa, me fazendo arrepiar.
“Venha”, diz ele, a voz baixa, só para mim. “Conversaremos melhor na minha sala.”
No mesmo segundo ele retira a mão, me recomponho, e sigo ao lado dele pelo corredor. Ainda assim, o lugar onde a mão dele tocou continua quente, latejando de leve.
Alguns olhares nos acompanham durante o caminho — colegas virando o rosto discretamente, sussurros baixos que eu não consigo entender. Meu rosto queima de novo.
Ele abre a porta da sua sala e me deixa entrar primeiro. Assim que entro, Roberto fecha a porta atrás de nós com um clique suave e gira a persiana da janela que dá para o corredor. As lâminas, que antes estavam na horizontal, vão para a vertical, fechando completamente a visão de quem está do lado de fora. O espaço fica mais privativo, mais íntimo.
“Sente-se, por favor”, diz ele, indicando a cadeira à frente da mesa grande.
Eu aliso a saia com as duas mãos, timidamente, antes de me sentar. O tecido desliza sobre as minhas coxas, e eu cruzo os tornozelos, sentindo o coração bater forte demais para minha primeira reunião. Roberto contorna a mesa e se acomoda na cadeira do outro lado, recostando-se com aquela presença dominante que parece ocupar todo o espaço. Seus olhos escuros me observando penetrantes por cima da mesa.
“Muito bem, Sra. Naomi. Vamos direto ao ponto.” A voz dele é firme, controlada, preenchendo o silêncio da sala.
“Eu não contratei uma funcionária júnior por caridade, nem para reduzir custos com mão de obra. Tampouco por indicação do seu marido.” Ele apoia os braços na mesa, os dedos entrelaçados. “Eu mesmo analisei o seu perfil. Se está aqui, é porque acredito que pode gerar resultado. E resultado, nessa empresa, significa uma coisa: lucro.”
Meu estômago aperta levemente.
“Evidentemente, o seu crescimento virá junto… se provar que é capaz.” Ele inclina levemente a cabeça. “Se não for, eu compreendo. Não vai ser a primeira que falhou por aqui. Você está em período de experiência. Posso substituí-la sem maiores dificuldades.”
O silêncio que se segue pesa. Eu engulo seco. A franqueza dele me intimida — não há suavidade, não há espaço para dúvida. Mas, ao mesmo tempo… algo dentro de mim reage. Endireito um pouco mais a postura na cadeira.
“C-Claro que estou pronta, senhor.” Minha voz sai um pouco trêmula no começo, mas firme no final. “E por favor, não me subestime pela minha idade ou falta de experiência. Eu estudei muito. Sei que posso somar aqui.”
Por um instante, fico em dúvida se fui longe demais. Mas então ele sorri. Um sorriso pequeno, contido… mas claramente satisfeito.
“Gosto disso”, diz ele, com um leve aceno de cabeça. “É bom saber que não trouxe para dentro da minha empresa uma garotinha tola.”
Sinto meu rosto esquentar, mas sustento o olhar.
“Se isso for real, você pode crescer muito aqui dentro. Eu mesmo faço questão de garantir isso.”
Meu coração acelera. “Pode ter certeza, senhor.”
Ele se recosta na cadeira, agora claramente mais interessado.
“No mês que vem teremos uma oportunidade importante.” Ele desliza um arquivo sobre a mesa, mas não o abre ainda. “A empresa Helix Dynamics está avaliando trocar sua gestora de investimentos.”
Meu foco se intensifica.
“Eles atuam no setor de logística industrial pesada… mais especificamente armazenamento e movimentação de insumos químicos e metais raros.” Ele me observa com atenção.
“Infraestrutura cara. Operação complexa. Alto risco.” Faz uma pausa. “E alto retorno.”
Eu assinto, já organizando o raciocínio.
“Mas a concorrência é forte. Investidoras maiores, nomes consolidados… todos estarão na disputa.” Ele fixa o olhar em mim. “Você chegou agora, ainda não deve conhecer muita coisa sobre essas empresas… mas quero te ouvir. Alguma ideia de como podemos ganhar essa conta?”
Respiro fundo. É agora.
“Eu conheço a Helix Dynamics, senhor.”
Os olhos dele se estreitam, interessado.
“Eles operam em um setor que depende muito de estabilidade operacional… mas o mercado em que estão inseridos é extremamente volátil.” Faço uma pequena pausa. “Principalmente por causa das variações nos preços internacionais de metais estratégicos.”
Ele não interrompe. Isso me dá confiança.
“Então eu não tentaria vender apenas capital ou crédito.” Inclino levemente o corpo para frente. “Eu posicionaria a investidora como uma agente de controle de risco. Algo como estruturar modelos de hedge integrados às operações deles… protegendo margens em cenários de oscilação brusca. E, ao mesmo tempo, oferecer linhas de investimento escaláveis para expansão da infraestrutura logística — principalmente em regiões portuárias.”
Observo a reação dele, mas continuo.
“Eles crescem rápido… mas esse crescimento expõe a empresa. Se mostrarmos que conseguimos sustentar esse crescimento com previsibilidade e proteção, deixamos de ser só mais uma investidora… e passamos a ser parte da estratégia deles.”
O silêncio se instala novamente.
Mas agora… é diferente.
Roberto me observa com mais intensidade.
Então sorri.
“A senhora não está errada.”
Sinto um pequeno alívio percorrer meu corpo.
“Esse é, de fato, um bom caminho.” Ele inclina levemente a cabeça. “Mas como eu disse… a concorrência é grande. Outras investidoras competentes podem chegar a algo parecido.”
Ele se inclina um pouco para frente, a voz ficando mais baixa.
“Então precisamos nos destacar.”
Meu coração acelera outra vez.
“Quero que pense nisso com calma. Se debruce sobre o problema. Me traga algo… melhor.” Uma pequena pausa. “A dica que posso te dar é simples: a chave está na postura.”
Postura.
A palavra ecoa na minha cabeça.
Postura… da empresa?
Da negociação?
Ou… minha?
Eu nem tenho tempo de perguntar. Ele já se recosta novamente.
“Sua mesa fica logo em frente à minha sala, Sra. Naomi. Leve a ficha completa da Helix com você.” Ele faz um gesto discreto com a mão. “Estude. Amanhã conversamos.”
Eu pego os documentos de cima da mesa e me levanto.
“Sim, senhor.”
Aliso a saia quase automaticamente, tentando controlar o nervosismo. Quando me viro para sair, sinto o olhar dele. Forte. Presente. Acompanhando cada passo até a porta.
Próximo Capítulo (Em Breve)


Estou adorando esse começo
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